| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Serra e Cia / RJ
Desde: 25/08/2004      Publicadas: 906      Atualização: 01/07/2006

Capa |  BUSCA NA WEB  |  CACHOEIRAS DE MACACU  |  CLIMA / TEMPO  |  COMÉRCIO LOCAL  |  COTAÇÃO - DÓLAR  |  CURSOS GRÁTIS  |  DESTAQUES  |  DOWNLOADS  |  ESPAÇO GOSPEL  |  ESPORTE & CIA  |  GAMES  |  HOSPEDAR-SE  |  HUMOR  |  IMAGENS AO VIVO  |  IMÓVEIS  |  MODA ÍNTIMA I  |  MODA ÍNTIMA II  |  NOTÍCIAS  |  NOVA FRIBURGO  |  OPINIÃO  |  POINTS da SERRA  |  PROMOÇÕES  |  RESTAURANTES


 CACHOEIRAS DE MACACU

  07/09/2004
  0 comentário(s)


Relato de CAMINHADA

...Após décadas de esquecimento, muitos pedaços da malha de asfalto ainda resiste ao tempo. Os pés floridos de beijos colorem a estrada e é impossível deixar de perceber a presença úmida da floresta tomando um espaço que já foi seu. Ouve-se o canto dos pássaros e em diversos pontos é possível visualizar as acidentadas serras formando arcos que se estendem em quase todas as direções. Há nascentes brotando em muitos lugares impedindo às vezes a continuidade da via asfaltada pela qual trafegaram muitos automóveis e caminhões...

Relato de CAMINHADAPor Rodrigo Luz

A chuva caiu por toda a primeira metade da semana. Quando isso não ocorria, nuvens pesadas deixavam o céu cinzento e ameaçador. Porém, nada foi suficiente para que a água penetrasse na terra e aumentasse o volume dos rios. O mau tempo serviu apenas para me acomodar na cidade de modo que eu não saísse para caminhar pelas manhãs e ficasse mais atento aos livros e à internet.
Na Quinta feira, dia 30/08, resolvi não dar tanta credibilidade ao cenário desanimador que eu via pela janela de minha casa em Friburgo. Tratei de arrumar a minha mochila, cumprir com algumas obrigações pessoais e sair para mais uma aventura. Tomei o ônibus até a divisa do município e dei início ao passeio planejando chegar em Cachoeiras de Macacu na mesma data. Pra minha surpresa, do alto da serra em diante só fez tempo bom.
Situada entre a serra e a baixada, Cachoeiras de Macacu é um dos municípios mais extensos do estado do Rio, contendo 1052 quilômetros quadrados. Seus rios de águas cristalinas abastecem boa parte das residências da Região Metropolitana formando na serra inúmeras cachoeiras (como o próprio nome da cidade sugere). O verde exuberante encobre quase todas suas serras, as quais despertam a imaginação, o misticismo, a cobiça e o desejo de encarar novos desafios. Muitas trilhas partindo de Nova Friburgo cruzam a Mata Atlântica até a baixada, o que propicia a prática de travessias com diferentes graus de dificuldades dependendo da topografia do relevo.
Dessa vez, optei pelo roteiro mais fácil, o qual já repeti em outras vezes. Seu começo é na saída de Nova Friburgo a 1083 metros de altitude e o trajeto compreende um extinto trecho ferroviário da Leopoldina além de um velho pedaço abandonado da própria rodovia asfaltada que foi retomado pela floresta após ser desativado. Muitos excursionista, no entanto, preferem fazer a descida de bicicleta pois o caminho não tem muitas inclinações e poucas são as interrupções provocadas pela natureza.
Sempre que ando pelo asfalto velho tenho a sensação de que estou presenciando uma visão pós apocalíptica. Pergunto como ficariam esteticamente as nossas cidades e demais construções após séculos de extinção da raça humana? Imaginando que o fim do mundo não seja através de um holocausto nuclear, mas sim por uma grande epidemia, a natureza teria todas as chances de se regenerar na maioria dos ecossistemas, principalmente os mais úmidos. Nossos edifícios ficariam cobertos pelas plantas, ninguém mais capinaria as praças e as estradas pavimentadas seriam rasgadas pela erosão das águas ou pela expansão das raízes arbóreas. Certamente alguma espécie predadora ocuparia o nosso lugar enquanto a seleção natural permitisse. Aliás, por mais que o homem destrua o seu meio, a Terra permanece girando e um dia poderá reagir violentamente e engolir a todos independente de nossas idades, condições financeiras ou ideologias políticas. Nem os monumentos culturais agüentariam, pois não há civilização que dure eternamente.
O asfalto antigo é na verdade o trecho inicial desse roteiro. São 45 minutos de caminhada da saída de Friburgo no bairro Theodoro de Oliveira até a curva da 'Ferradura' na RJ-116 já no município de Cachoeiras de Macacu. Ali é preciso prosseguir uns 10 minutinhos beirando o acostamento até alcançar a velha ferrovia. O abandono desse pedaço da rodovia ocorreu justamente depois da extinção da Leopoldina, pois os governantes verificaram que seria mais econômico aproveitar o trechinho da linha férrea entre Friburgo e a Ferradura.
Após décadas de esquecimento, muitos pedaços da malha de asfalto ainda resiste ao tempo. Os pés floridos de beijos colorem a estrada e é impossível deixar de perceber a presença úmida da floresta tomando um espaço que já foi seu. Ouve-se o canto dos pássaros e em diversos pontos é possível visualizar as acidentadas serras formando arcos que se estendem em quase todas as direções. Há nascentes brotando em muitos lugares impedindo às vezes a continuidade da via asfaltada pela qual trafegaram muitos automóveis e caminhões. Ao chegar na Ferradura vi uma imensa máquina na pista e alguns homens orientando a passagem dos veículos.
A descida pela antiga linha foi um relaxamento completo. Aproveitei para jogar algumas sementes de flamboyan e de algodão pelo caminho nas poucas áreas degradadas da Mata Atlântica que encontrei pela trilha. Essa Segunda parte do roteiro é de considerável valor histórico sendo possível ver as antigas estações que hoje estão em ruínas. A primeira delas é a parada de 'Registro' onde o trem era abastecido com água pois a locomotiva era movida a vapor e carvão mineral. A relíquia nada mais é do que uma imensa caixa d'água com mais de 6 metros de altura e uns 2 de largura e de comprimento.
Prosseguindo no meio daquele verde encantador, tão logo eu estava atravessando dois pontilhões de ferro. Justamente no primeiro deles tem um pocinho de águas claras e frias onde o banho não é recomendado para não prejudicar a captação de água da CEDAE situada mais abaixo. Já a Segunda ponte mete um pouquinho de medo porque atravessa um abismo com mais de 30 metros passando acima das copas das árvores. Dali é possível Ter uma visão muito bonita da Serra do Mar.
Até a trilha desembocar numa estrada de carros, que também faz parte da linha, resta somente uma atração que é uma casa abandonada que outrora fora utilizada pela CEDAE. Seu teto já desmoronou e sobraram somente as pareces e as janelas. Por não estar localizada na trilha, é preciso é preciso pegar um caminho que vai até ela. Fiquei muito decepcionado quando vi algumas pichações que provavelmente foram feitas por adolescentes que por ali estiveram como se pra eles fosse necessário deixar marcas predatórias afim de se afirmarem na vida. Tal comportamento eu vejo como uma conseqüência da necessidade de aprovação que a própria sociedade cria nos jovens desde a escola, a qual estimula mais a competitividade do que as relações de cooperação. Já que nem todos conseguem se destacar, a frustração induz a determinadas condutas negativas.
Quase no final da trilha encontrei uma cobra peçonhenta. Se eu não tivesse atento certamente pisaria no animal e poderia entrar numa tremenda fria. Fiquei imobilizado e a primeira coisa que me veio à cabeça era matá-la conforme os meus instintos. Procurei manter a calma e comecei a estudar uma forma de prosseguir passando por fora da trilha ou espantando-a. Para o meu alívio, a serpente percebeu a minha presença e se afastou entrando por dentro da vegetação baixa. Provavelmente eu estava diante de uma jararaca. Em Cachoeiras de Macacu há muitas dessa espécie de ofídio o que acabou inspirando o nome da marca de uma famosa cachaça local. Quase todos os acidentes com cobras na região são com as jararacas sendo que a picada da coral é sempre mais grave. Em geral, nenhuma delas ataca o ser humano, exceto pra se defenderem. Por isso, sempre é bom manter um certo respeito pela natureza porque já houve casos de moradores que morreram ou tiveram membros de seus corpos amputados por causa das mordidas de cobras. Exterminá-las seria promover o desequilíbrio ambiental pelo desajuste da cadeia alimentar e o melhor que podemos fazer é nos prevenirmos com roupas e sapatos adequados. Dependendo do estado da trilha só andar em grupo e com equipamentos de primeiros socorros.
Justamente no final da trilha fica a estação 'Posto do Pena', a qual está num estado de conservação melhor do que as demais. Pode-se encerrar a caminhada por ali pegando um atalho por dentro de um terreno da CEDAE até a rodovia. Entretanto, a estradinha que continua pela linha e vai até o bairro 'Boca do Mato' tem alguns atrativos e é gostosa para caminhar. Como eu tinha a intenção de ir a pé até Cachoeiras de Macacu, preferi dar prosseguimento.
Minha atitude de distribuir sementes despertou a desconfiança de um funcionário da CEDAE quando passei em frente à sua casa. Assustado ele desceu até o portão e desejou saber do que se tratava. Mostrei pra ele os caroços de algodão e após eu me explicar e conversarmos um pouco, fui convidado para conhecer uma outra estação de captação de água da CEDAE distante uns 5 minutos de sua residência. O lugar é fantástico e tem um delicioso rio para tomar banho, caso fosse possível. Ficamos mais de uma hora batendo papo e falando sobre outras trilhas próximas dali que levam a locais misteriosos. Retornei a caminhar quando eram quase 16 horas.
Reparei mais duas estações de trem pela estradinha até chegar em Boca do Mato. Uma delas era a parada 'Rancho do Cafezal' onde hoje é o Portugal Campestre Clube. A construção está totalmente em ruínas e quase toda tomada pelo mato. A outra estação mais abaixo também não estava num bom estado de conservação sendo que quase nada sobrou dela. Pode-se dizer que tanto uma quanto a outra só podem ser reconhecidas pelas suas rampas onde os passageiros aguardavam a locomotiva.
O dia já declinava quando cheguei em Boca do Mato e talvez eu tivesse pouco mais de uma hora de sol. Eu pretendia anteriormente ir até o 'Grande Jequitibá' (uma árvore centenária, larga e alta no meio da floresta) e depois subir na cachoeira das 'Sete Quedas', mas o horário e a fome não me permitiram. Dali eu podia Ter encerrado o passeio e tomado um ônibus urbano até Cachoeiras de Macacu, porém, preferi atravessar o asfalto e continuar descendo paralelamente à RJ-116 pela antiga linha. Este final do roteiro quase não tem atrativos embora seja uma agradável caminhada. O trajeto passa pelos bairros Castália, Valério e Rasgo além de outras duas pontes de ferro da época do trem que foram adaptadas para receberem o trânsito de automóveis. Na primeira oportunidade parei para comer um pão com mortadela junto com uma coca cola.
Iluminada com a meia luz do racionamento, Cachoeiras encerrava suas atividades do dia. As lojas iam se fechando e as pessoas voltavam para seus lares. Fui diretamente pra casa de meu amigo Jorge 'Passarinho', o qual me ofereceu hospedagem.
Fazia alguns meses que agente não mantinha contato e conversamos bastante sobre a expedição à Pedra do Faraó da qual ele e alguns montanhistas friburguenses participaram (ver http://www.expedicaofarao.cjb.net).
Cachoeirense da gema, Jorginho luta há mais de 20 anos pelo ecoturismo em sua cidade. Seu apelido Passarinho deve-se aos campeonatos de vôo livre que ele mesmo ajudou a promover nos anos 80 na lendária 'Pedra do Colégio'. Além dessas realizações, Passarinho também atua como ambientalista, dedicou-se profundamente às pesquisas ufológicas em seu município e ao famoso 'Rock Noel', um evento que todo ano rola na cidade. Contudo, sua maior vocação é ser guia turístico e ninguém melhor do que ele conhece as trilhas com os mínimos detalhes.
Também é impressionante o seu gosto por história, principalmente a regional. Passarinho fez levantamentos desde o início da colonização quando as terras em torno da Baía de Guanabara tiveram que ser ocupadas após a expulsão dos franceses em 1567. Desde esta data a região passou décadas sendo desmembrada em cartórios e trocando de donos até em 1612 ser construído o povoado de Santo Antônio de Sá no rio Macacu. Tal localidade, que hoje está em ruínas, durou só até o século 19 quando então as epidemias de febre amarela e de malária esvaziaram a freguesia. Nesta época teve início o povoamento de Cachoeiras de Macacu para abrigar os refugiados da febre.
É interessante saber que o rio Macacu um dia já foi navegável e era a principal estrada comercial da região até ser construído o ramal ferroviário entre Porto das Caixas e Cachoeiras. Na primeira metade do século 19, o rio foi rota dos imigrantes suíços e alemães que vieram de barco até o pé da serra afim de povoarem Nova Friburgo. Hoje além de faltar o interesse econômico pela navegação fluvial, falta boa parte daquele volume d'água que tinha o seu leito que mesmo na baixada pode ser atravessado a pé nesses meses mais secos do ano.
Um outro fato relevante na história cachoeirense foi a sua resistência durante a revolução de 64. Pode-se dizer que a cidade foi um ponto vermelho no mapa sendo que muitos guerrilheiros comunistas ficaram escondidos em suas serras. Por muitas vezes, o exército esteve no município com armas e carros de combate e consta que o 'Grupo dos Onze' transitou por ali antes de seu líder Leonel Brizola fugir para o exterior vestido de mulher.
Hoje Cachoeiras de Macacu é uma cidade que aos poucos vai perdendo o seu passado e vive um presente de futuro incerto. Faltam investimentos em saúde, educação, meio ambiente e turismo. Ainda que as crianças tenham uma infância alegre com bastante calor e banhos de rio, os jovens precisam buscar emprego longe de seus pais. Uns trabalham em Friburgo e a maioria parte pra Região Metropolitana (principalmente Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí). A instalação de uma fábrica da Schincarioll trouxe pouquíssimos benefícios para a área social porque nem toda a mão de obra empregada é local. Felizmente, a violência ainda não tomou conta conforme acontece nos outros municípios da baixada fluminense vizinhos à capital.
No dia seguinte, acordei bem cedo pra caminhar. Parti então pra reserva de Santa Fé, distante duas horas e meia de Cachoeiras de Macacu. Pra chegar até lá é preciso passar pelo bairro Boavista e então fazer a opção ou pela estrada de terra ou então pela trilha na outra margem do rio. Preferi pegar a trilha afim de evitar o sol quente que desde as primeiras horas do dia já estava forte. Esta trilha foi um antigo caminho por onde desciam bondes carregados de farinha vindos de Santa Fé.
Até a década de 50, Santa Fé foi uma produtiva fazenda onde morou muita gente. Dali saía não só produtos da mandioca como tábuas de madeira, café e muita banana. Nos fins de semana havia bailes e a vida era razoavelmente movimentada. Durante o governo militar, um arrogante posseiro apoiado politicamente conseguiu retirar os antigos moradores dando início a uma história de abandono e de perseguição. Restaram algumas ruínas do século 19 como a antiga igreja, um velho armazém e um aqueduto.
Recentemente, porém, foi feito um assentamento agrícola pelo INCRA, o que acabou gerando certa polêmica por causa dos problemas ambientais que vieram junto com a ocupação humana.
Por várias vezes eu me perdi na trilha, mas dei sorte em poder concluir o roteiro porque pude dispor de bastante tempo. Meu primeiro erro foi justamente não Ter entrado na trilha e Ter continuado caminhando até parar numa fazenda quase no final da estrada. Valeu a pena porque a vista lá de cima é muito bonita e dá pra reconhecer boa parte de Cachoeiras de Macacu e da serra que vai pra Friburgo, além da Pedra do Colégio. Tive que retornar por onde eu vim e precisei me informar com os moradores para que me indicassem a trilha.
A trilha é cheia de verde e vai sempre subindo o rio. Nela há bifurcações que conduzem à cachoeiras e a diversos sítios de moradores. É preciso usar um pouco da intuição para não sair do caminho principal procurando sempre as marcas deixadas pela engenharia que ajeitou o terreno afim de que o bonde pudesse trafegar. Já as cachoeiras estão todas no rio principal, como o 'Poço do Tenebroso' e as 'Três Dimensões', sendo que em nenhum ponto há placas indicativas para chegar até nelas.
Pela Segunda vez me perdi quando resolvi confiar nas informações de dois jovens turistas que puxavam suas bicicletas. Cometi a mancada de acompanhá-los e me afastar do rio Boavista. Num determinado momento eles resolveram desistir do passeio e um deles me garantiu que eu estava na trilha certa. Minha intuição duvidava, mas continuei até chegar numa casinha bem lá pra cima e que estava trancada. O caminho encerrava ali e definitivamente concluí que eu havia me enganado.
De volta à trilha verdadeira, consegui sozinho chegar ao centro de Santa Fé onde justamente termina a estrada de carro pela outra margem do Boavista. Naquele ponto tem um agradável poço, porém a água estava gelada devido à influência da altitude e do inverno. Assim mesmo, não resisti e tomei um rápido banho que me recuperou da fadiga. A trilha por onde eu vim continua até a 'Pedra do Faraó' com seus 1719 metros, mas o antigo bondinho só ia até um lugar conhecido como 'Jabuticabeira', distante uns 40 minutos do pocinho.
Resolvi que ainda faria outra travessia naquele dia durante a minha volta pra Cachoeiras. Procurei pela trilha que vai de Santa Fé até o povoado de Jardim faraó sendo que fui advertido por alguns moradores locais por causa das muitas bifurcações existentes.
Como insisti, eles me explicaram como eu faria para chegar numa propriedade situada no alto de uma serra onde eu poderia obter melhores informações. Encarei uma subida bem cansativa, mas não tive dificuldades em chegar no sítio do qual me informaram cujo nome é 'Três Amigos'. Pude Ter novamente uma belíssima vista de Cachoeiras de Macacu e todas aquelas montanhas de Santa Fé. Pro lado da Pedra do faraó vi um pedaço da Mata Atlântica ardendo em chamas, o que me causou um forte sentimento de indignação contra a ignorância humana, principalmente contra a burrice de nossas autoridades que assentaram aquelas famílias justamente numa área de reserva.
Felizmente encontrei algumas pessoas nesse sítio para me informarem, mas não adiantou muito porque novamente eu me perdi. A dica que recebi era pra sempre seguir os rastros de moto na trilha. Como as marcas deixadas pelos pneus não estavam nítidas acabei perdendo uma hora num caminho errado que segundo os cachoeirenses conduz a uma exótica comunidade familiar que há mais de 100 anos vive escondida naquelas serras. A má língua do povo comenta que eles são pessoas hostis, só se casam entre eles, andam nus, não cortam cabelo e raramente aparecem na cidade quando precisam comprar alguma coisa. De fato, pude perceber a presença de pessoas andando por dentro da mata, mas confesso que não vi ninguém exceto um velho barbudo entrando numa cachoeira. Ao achá-lo perguntei como faria pra tomar a trilha que desce pra Jardim Faraó.
Precisei voltar boa parte do que andei, mas compensou o sacrifício. A vista lá do alto não permite ver Cachoeiras de Macacu e só mais pra perto é possível identificar o povoado de Jardim Faraó que se divide em Faraó de Cima e Faraó de Baixo. Todavia, dá pra se ver um bom pedaço da baixada que acompanha o rio Macacu até perder de vista. São mais de 30 rios e incontáveis córregos que formam a bacia do Macacu, o qual deságua na Baía de Guanabara. Se toda aquela beleza for bem preservada, jamais a metrópole do Rio de Janeiro terá problemas de falta d'água e Cachoeiras poderá se tornar a capital fluminense do ecoturismo, considerando a sua proximidade de menos de 100 quilômetros com a capital. Infelizmente, não são todos os cachoeirenses que percebem isso, nem mesmo agora que a água virou dinheiro - o ouro azul.
A descida até Jardim faraó demorou mais de uma hora. O caminho é sinuoso, atravessa muitos córregos e tem uns trechinhos de subida. Vi algumas casas muito simples no percurso onde a luz elétrica e o falso progresso ainda não chegaram. O único transporte daquelas famílias são os próprios pés ou o lombo do animal, principalmente o burro, sendo este o motivo que explica porque muitos moradores serranos costumam chamar as trilhas de 'caminhos de burro'.
Ás 16:30 eu já estava em faraó de Cima. Meus pés não agüentavam dar mais nenhum passo e eu sentia muita fome. Comprei um pão com mortadela e um 'guaraviton' no primeiro estabelecimento aberto que eu encontrei. Não havia mais ônibus naquele dia (só nos finais de semana tem um carro que sai às 18 horas pra Cachoeiras) e por isso pedi ao dono da mercearia que me arrumasse uma carona. A ajuda de um vendedor de pão me adiantou bastante encurtando-me uns 80 minutos de caminhada pela estrada de terra. No mesmo instante em que saltei de seu automóvel, puxei o polegar para o primeiro caminhão que passou por mim. Acomodei-me em sua carroceria e fui pra Cachoeiras.

Dicas

Cachoeiras de Macacu permite a prática tanto de roteiros leves, travessias ou de expedições cansativas que podem durar muitos dias dentro da mata. Algumas travessias não devem ser feitas sem o acompanhamento de um guia que conheça a região. Os preços estão bem acessíveis se comparando com outros lugares. Consulte a ECOVIDA do Jorge Passarinho cujo telefone é (21) 2649-2505.
Pra fazer um roteiro por conta própria é recomendável explorar os pontos turísticos perto da RJ-116 entre Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo, tais como a antiga linha do trem, o caminho do imperador, o grande jequitibá e as quedas d'água que têm em Boca do Mato. Há também outras atrações acessíveis nos povoados de Guapiaçu e de Jardim Faraó (evite ir pra Faraó nos finais de semana de verão por causa dos teríveis ônibus de excursão que lotam o lugar).
Querendo caminhar em Santa Fé sem guia, suba pela estrada e desça pela trilha para que você não se perca. Disponha de muito tempo e de paciência para pesquisar as cachoeiras no rio Boavista que são alcançadas pela trilha e não há placas indicando. Não deixe de visitar a 'Cachoeira das Samambaias' na fazenda do Rossi, secretário de turismo. Há trilhas que podem ser feitas a cavalo, de bicicleta ou de moto, mas não são todas. Lugar pra fazer rapel não falta e há instrutores desse esporte na cidade. Existem roteiros de jipe, pedras pra saltar de asa delta e às vezes são feitos alguns passeios de barco pelo rio Macacu até a Baía de Guanabara.

Onde Ficar

Cachoeiras de Macacu tem algumas pousadas e pouquíssimos acampamentos. Em casos de expedição ainda é possível praticar o camping selvagem na companhia dos guias. Um dos melhores estabelecimentos hoteleiros da cidade é o CACHOEIRAS PALACE (21) 2649-2506 e 2649-2716 - cachoeiraspalace@grupomil.com.br

Como Chegar

Vindo do Rio de Janeiro o caminho mais fácil é atravessar a ponte Rio-Niterói, pegar a BR-101 até Itaboraí e quando chegar em Venda das Pedras entrar na RJ-116 e seguir até Cachoeiras de Macacu. Mas pra quem não gosta de passar pela ponte, existe a alternativa de vir pela rodovia Cachoeiras-Magé que começa em Parada Modelo na rodovia Rio-Teresópolis terminando na fábrica da Schincarioll.
Se você vier da Região dos Lagos existe uma estrada recentemente asfaltada pelo governador que vai de Maricá até Venda das Pedras pela Serra do lagarto.


  Mais notícias da seção CACHOEIRAS DE MACACU no caderno CACHOEIRAS DE MACACU
15/09/2004 - CACHOEIRAS DE MACACU - Comunidade Japonesa
JAPÃO BENEFICIA COMUNIDADE DE Cachoeiras de Macacu...



Capa |  BUSCA NA WEB  |  CACHOEIRAS DE MACACU  |  CLIMA / TEMPO  |  COMÉRCIO LOCAL  |  COTAÇÃO - DÓLAR  |  CURSOS GRÁTIS  |  DESTAQUES  |  DOWNLOADS  |  ESPAÇO GOSPEL  |  ESPORTE & CIA  |  GAMES  |  HOSPEDAR-SE  |  HUMOR  |  IMAGENS AO VIVO  |  IMÓVEIS  |  MODA ÍNTIMA I  |  MODA ÍNTIMA II  |  NOTÍCIAS  |  NOVA FRIBURGO  |  OPINIÃO  |  POINTS da SERRA  |  PROMOÇÕES  |  RESTAURANTES
Busca em

  
906 Notícias


POINTS da SERRA
 

FIQUE POR DENTRO

 

teste


DESTAQUES
 

ON LINE

 

teste


ESPORTE & CIA
 

FIQUE POR DENTRO

 

Últimas Notícias do Ataque


HUMOR
 

Imagens & Cia

 

Semelhanças


IMÓVEIS
 

IMÓVEIS / CACHOEIRAS DE MACACU

 

COMPRA / VENDA / LOCAÇÃO


MODA ÍNTIMA I
 

Pólo Olaria

 

O melhor da Moda Íntima está aqui.


NOVA FRIBURGO
 

Conheça Melhor

 

Última parada: Nova Friburgo